CONFRONTADOS PELA VERDADE — PARTE 4 Confrontados para Sermos Transformados CONFRONTADOS PELA VERDADE — PARTE 4 Confrontados para Sermos Transformados
Discipulado Cláudia Abreo

CONFRONTADOS PELA VERDADE — PARTE 4 Confrontados para Sermos Transformados

CONFRONTADOS PELA VERDADE — PARTE 4

Confrontados para Sermos Transformados

A obra do Espírito Santo na formação do discípulo

Ser confrontado pela verdade nem sempre é confortável. Há momentos em que a Palavra alcança áreas que preferiríamos não enxergar. Ela revela motivações escondidas, confronta justificativas, expõe incoerências e toca lugares que aprendemos a proteger.

Quando isso acontece, porém, precisamos compreender uma diferença fundamental: ser confrontado por Deus não significa viver debaixo de condenação.

Paulo declara: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). Essa verdade é essencial. O discípulo pode ser corrigido, confrontado, disciplinado e chamado ao arrependimento, mas sua relação com Deus já não está fundamentada em uma sentença de condenação. Em Cristo, ele foi alcançado pela graça.

Isso significa que podemos encarar a verdade sem precisar fugir dela.

Não precisamos esconder nossas falhas para preservar nossa aceitação diante de Deus. Não precisamos defender uma imagem de perfeição. Podemos permitir que a luz alcance aquilo que ainda precisa ser tratado porque nossa esperança não está em nossa capacidade de nunca falhar, mas na suficiência de Cristo.

É nesse lugar que a confrontação deixa de ser uma ameaça e passa a fazer parte do processo de transformação.

Jesus ensinou que o Espírito Santo convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8–11). Aos seus discípulos, prometeu que o Espírito da verdade os guiaria à verdade e glorificaria Cristo (João 16:13–14). Também o apresentou como Consolador e Auxiliador, aquele que permaneceria com eles e os ensinaria (João 14:16,26).

Há uma beleza extraordinária nisso.

O Espírito revela, mas também acompanha. Confronta, mas também consola. Mostra aquilo que precisa mudar, mas não nos abandona diante do que foi revelado.

E, sobretudo, sua obra aponta para Cristo.

Por isso, a autoconfrontação bíblica nunca deveria nos conduzir a uma vida obcecada com nossos próprios fracassos. O objetivo não é olhar cada vez mais para nós mesmos, mas permitir que Deus trate aquilo que ainda não corresponde ao caráter de Jesus.

Paulo descreve essa obra de maneira extraordinária:

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.”
(2 Coríntios 3:18)

Aqui encontramos o destino de todo verdadeiro discipulado:

ser transformado à imagem de Cristo.

O verbo utilizado por Paulo aponta para transformação. Não se trata simplesmente de melhorar alguns comportamentos externos ou desenvolver uma versão mais disciplinada de nós mesmos. Existe uma obra acontecendo no interior do discípulo: à medida que contempla a glória do Senhor, ele é progressivamente transformado pelo Espírito.

Isso muda completamente nossa compreensão da confrontação.

Quando Deus revela orgulho, seu propósito não termina em mostrar que existe orgulho. Ele deseja formar humildade.

Quando confronta falta de perdão, não deseja apenas expor a ferida ou o ressentimento. Ele nos conduz na direção da graça.

Quando revela egoísmo, está formando em nós uma vida capaz de amar.

Deus não apenas remove. Ele forma.

A confrontação, portanto, não termina no diagnóstico.

Deus não ilumina uma área de nossa vida simplesmente para que saibamos que existe algo errado ali. Ele revela porque deseja redimir, corrigir, amadurecer e transformar.

Mas essa obra do Espírito não nos torna passivos diante da verdade.

Existe uma resposta que pertence ao discípulo.

Quando a verdade nos confronta, somos chamados ao arrependimento. Quando a Palavra corrige nosso caminho, somos chamados à obediência. Quando o Espírito revela uma área ainda não submetida ao senhorio de Cristo, somos chamados a entregá-la.

Graça e responsabilidade não são inimigas.

A graça não elimina nossa resposta; ela torna possível uma resposta que já não busca conquistar o favor de Deus, mas nasce justamente porque fomos alcançados por esse favor.

Paulo expressa essa nova orientação da vida cristã quando afirma: “É por isso que também nos esforçamos [...] para lhe sermos agradáveis” (2 Coríntios 5:9). Aos colossenses, ele deseja que os discípulos vivam “de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado” (Colossenses 1:10).

Essa é uma mudança profunda de referência.

Enquanto o eu ocupa o centro, nossas perguntas tendem a girar ao redor de nós mesmos:

O que eu quero?
O que eu sinto?
O que é melhor para mim?
O que me satisfaz?

Mas, à medida que Cristo ocupa o centro e amadurecemos no discipulado, outra pergunta começa a governar nossas escolhas:

O que agrada ao Senhor?

Isso não significa que sentimentos, necessidades e desejos deixam de existir. Significa que eles já não possuem autoridade final.

Cristo possui.

Talvez por isso maturidade espiritual não signifique chegar a um ponto em que já não precisamos ser confrontados. Pelo contrário, quanto mais amadurecemos, mais ensináveis precisamos permanecer.

O discípulo maduro não é aquele que chegou a um lugar onde ninguém mais pode corrigi-lo. É aquele que aprendeu a permanecer sensível à voz de Deus, aberto à Palavra e disposto a responder ao Espírito.

Há menos necessidade de defender a própria imagem. Menos necessidade de justificar cada atitude. Menos resistência em reconhecer: “Eu estava errado.”

Isso porque nossa segurança já não depende de parecermos corretos o tempo todo.

Nossa segurança está em Cristo.

E talvez seja justamente essa segurança que nos permita permanecer diante da verdade quando ela nos confronta. Podemos reconhecer o pecado sem sermos definidos por ele. Podemos admitir uma falha sem perder nossa identidade. Podemos nos arrepender sem fugir de Deus.

A graça nos dá coragem para permanecer na luz.

Quando olhamos para toda essa caminhada, percebemos que confrontação nunca foi o destino.

Na primeira parte, vimos que um discipulado que conduz à maturidade exige disposição para sermos confrontados pela verdade. Depois percebemos que essa verdade inevitavelmente toca o senhorio do eu e nos chama a devolver a Cristo o centro da vida. Em seguida, colocamo-nos diante da Palavra como diante de um espelho, permitindo que Deus revele aquilo que precisa ser visto.

Agora chegamos ao propósito de tudo isso.

A verdade confronta porque Deus deseja transformar.

Não somos chamados a passar a vida identificando interminavelmente aquilo que está errado conosco. Somos chamados a caminhar com Cristo enquanto o Espírito trabalha em nós, conduzindo-nos progressivamente à sua imagem.

Por isso, podemos resumir o caminho desta série assim:

A verdade me confronta.
A Palavra revela.
O Espírito me convence e transforma.
A graça me sustenta.
Eu respondo em arrependimento e obediência.
E Cristo vai sendo formado em mim.

Esse é o caminho da maturidade.

Não uma vida em que nunca mais precisamos ser corrigidos, mas uma vida que já não foge quando Deus corrige.

Não uma vida sem fraquezas, mas uma vida cada vez mais rendida.

Não uma vida centrada no aperfeiçoamento do próprio eu, mas uma vida entregue à ação do Espírito.

Porque o destino do discipulado não é simplesmente saber mais sobre Cristo, mas sermos, pelo Espírito, progressivamente transformados à Sua imagem.

 

Cláudia Abreo

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